Webinar – O que Avaliar no Aluno com Necessidades Educacionais Especiais (NEE)
Data: 25 de junho de 2025
Palestrante Principal: Alexandra Fernandes
Participantes: Valercia de Fátima Vivas da Costa Vivas, Debora Gianotto, Cristiane Alvim, Elisangela
Caputo Castro.
Resumo Geral
O webinar conduzido por Alexandra Fernandes abordou a avaliação de alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE) no Ensino Fundamental. A discussão focou na importância de utilizar instrumentos de avaliação adequados, na função primordial da escola, que vai além da socialização, e nos desafios da inclusão. Foi dada ênfase especial à alfabetização como pilar fundamental, à coleta de informações sobre os alunos e ao uso estratégico do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). O encontro foi enriquecido com experiências práticas compartilhadas pelas participantes sobre métodos de ensino, adaptações curriculares e a relevância de um olhar individualizado para todos os estudantes.
Tópicos Detalhados da Apresentação 1. A Importância dos Instrumentos de Avaliação Alexandra Fernandes iniciou a discussão enfatizando que a avaliação de alunos requer instrumentos e protocolos formais para analisar habilidades, comportamentos e interações sociais. Segundo ela, sem essas ferramentas, torna-se difícil comparar o desenvolvimento de um estudante com outros de mesma idade e escolaridade, além de ser um obstáculo para monitorar o progresso individual. Esclareceu que esses instrumentos não se restringem a testes da área da saúde, mas incluem protocolos que ajudam a identificar as características da criança, orientando o planejamento pedagógico.
2. A Função Primordial da Escola
Foi questionada a visão de que a principal função da escola é a socialização. Alexandra argumentou que, embora a socialização seja uma consequência natural do ambiente escolar, o objetivo primordial é garantir a “formação comum indispensável para o exercício da cidadania e para progredir no trabalho e nos estudos”. Essa finalidade deve ser aplicada a todos os alunos, incluindo aqueles com desenvolvimento atípico. A escola tem o dever de desenvolver o pensamento crítico,
habilidades socioemocionais e a percepção de mundo, ensinando aos alunos seus direitos e deveres.
3. Desafios da Inclusão e Preparação para o Futuro
• Desafios ao Longo da Trajetória Escolar: A inclusão, que parece mais simples na educação infantil, torna-se progressivamente mais desafiadora nos anos finais do fundamental e no ensino médio. Alexandra mencionou a existência de um “limbo” na adolescência, quando as demandas acadêmicas aumentam e a falta de atividades substitutivas se torna evidente.
• Preparação para o Mercado de Trabalho: Abordou-se a necessidade de preparar todos os alunos para uma futura carreira, mesmo aqueles com maiores limitações. Alexandra lamentou a extinção de espaços como oficinas pedagógicas e empregos protegidos, que ofereciam oportunidades valiosas. Apesar dos avanços na legislação, muitas escolas e professores ainda se sentem despreparados para a inclusão, em parte devido a currículos de formação desatualizados.
4. Alfabetização como Prioridade Máxima
A alfabetização foi destacada como um pré-requisito essencial para o sucesso acadêmico e profissional. Alexandra criticou o fato de alunos concluírem o ciclo escolar sem estarem devidamente alfabetizados ou como analfabetos funcionais.
• A Natureza do Aprendizado: Explicou que, ao contrário da fala (que é natural), a leitura e a escrita são invenções humanas que exigem ensino explícito e sistematizado. A correspondência entre fonemas (sons) e grafemas (letras) precisa ser ensinada, com a leitura precedendo a escrita.
• Habilidades Preditoras: Foram listadas diversas habilidades que preparam a criança para a alfabetização, como consciência corporal e fonológica, processamento auditivo e coordenação viso-motora. Um foco maior nessas competências desde a educação infantil poderia facilitar o processo.
• Nomeação Rápida: A habilidade de nomear objetos, cores e letras rapidamente foi apresentada como uma forte preditora da fluência leitora e pode ser estimulada desde cedo.
• Cópia vs. Compreensão: Alexandra demonstrou que o ato de copiar letras não garante o aprendizado da leitura ou a compreensão do significado. Crianças que são apenas “copistas” não desenvolveram a leitura de fato, e a falta de sentido nas atividades pode gerar alterações de comportamento.
5. O Papel do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI)
• Coleta de Informações: É indispensável coletar informações sobre os alunos com NEE assim que eles chegam à escola. O laudo médico é um ponto de partida para entender certas características, mas não deve definir ou limitar o ensino; ele apenas orienta como ensinar para que o aluno possa aprender.
• Função do PDI: O PDI é um documento essencial que norteia o trabalho do professor e registra o histórico de aprendizado do aluno. Ele deve ser um registro individualizado, baseado em uma avaliação detalhada das habilidades, dificuldades e necessidades de cada estudante.
• Adaptação da Avaliação: Defendeu-se a adaptação dos instrumentos de avaliação não para facilitar a resposta, mas para tornar a tarefa possível de ser executada pelo aluno. O PDI deve indicar o ponto de partida de cada um para que o ensino seja eficaz.
6. Um Olhar Diferenciado para Todos os Alunos Alexandra concluiu sua fala reforçando que o “olhar diferenciado” deve ser estendido a todos os alunos, pois a maioria apresenta alguma dificuldade em algum momento. Ao planejar atividades
que atendem à diversidade da sala, o processo de ensino e aprendizagem se torna mais prazeroso tanto para o professor quanto para o aluno. Como exemplo, foi exibido um vídeo de um aluno do sétimo ano com grande dificuldade de leitura, mesmo sem laudo, evidenciando que as necessidades educacionais especiais nem sempre são diagnosticadas formalmente.
Compartilhamento de Experiências das Educadoras.
• Valercia de Fátima Vivas da Costa Vivas: Como coordenadora, expressou sua paixão pela alfabetização e concordou com a prioridade de focar nela antes de avançar para textos complexos. Mencionou o “método das boquinhas” como uma ferramenta eficaz para trabalhar a consciência fonológica.
• Debora Gianotto: Professora de educação física, observou que alunos com dificuldades em sua matéria frequentemente também as têm em inglês. Alexandra complementou que a aversão à educação física pode estar ligada a dificuldades motoras sutis.
• Cristiane Alvim: Compartilhou o caso de um aluno do primeiro ano, vindo da zona rural e sem ter frequentado a pré-escola, que não conseguia realizar tarefas básicas como identificar desenhos ou segurar o lápis. Com um trabalho focado em coordenação motora, o aluno conseguiu terminar o ano lendo pequenas palavras, o que foi considerado uma
grande vitória.
• Elisangela Caputo Castro: Mencionou que os PDIs em sua escola foram iniciados com um questionário para observar os aspectos emocionais das crianças, como seus gostos e o que as entristece, antes de abordar as questões de aprendizagem. Essa abordagem ajudou a identificar crianças com problemas de socialização e a tornar a construção do PDI um
processo mais leve.